5 de jan. de 2026
O que é ESG e por que ele é importante para as empresas
Entenda o que é ESG, por que ele se tornou estratégico para as empresas e como aplicar os pilares ambiental, social e de governança de forma prática e consistente.

Marcos Pinheiro
@marcospinheiroesg
ESG não é uma tendência passageira nem um sinônimo genérico de sustentabilidade. É uma forma estruturada de olhar para riscos, oportunidades e decisões estratégicas, integrando fatores ambientais, sociais e de governança ao negócio.
Quando o termo ESG apareceu no documento Who Cares Wins, da ONU, em 2004, ninguém imaginava a importância que ele iria ganhar.
Demorou um pouco, mas a partir de 2020 as buscas por o que é ESG decolaram no Google e o mundo foi apresentado ao conceito.
Neste texto, vou te contar o que é ESG e porque ele é importante para as empresas.
O que é ESG?
ESG é a sigla em inglês para environmental, social and governance (ambiental, social e governança), um conjunto de critérios usados para avaliar o desempenho sustentável e responsável de uma empresa.
O conceito integra os aspectos não financeiros mais relevantes de uma companhia, avaliando sua atuação em relação ao meio ambiente (E), à sociedade (S) e à forma como é administrada (G).
Histórico do termo
Como eu te disse logo acima, o termo “ESG” apareceu de forma inédita no estudo Who Cares Wins, da ONU, em 2004. A publicação reunia uma série de sugestões direcionadas ao mercado financeiro e apontava que estes três pilares deveriam ser avaliados nas decisões de investimento.
Em outras palavras, o documento defendia que, além dos aspectos financeiros “tradicionais”, investidores olhassem com igual importância para a governança das empresas e para suas ações ambientais e sociais.
Estes pilares eram fundamentais, segundo o documento, porque em um mundo complexo e em transformação, também representavam riscos reais ao desempenho financeiro.
Perceba que ESG foi, portanto, um termo criado em um documento específico e voltado para um nicho, com olhar puramente financeiro.
A partir de 2020, o ESG se difundiu e este significado estreito foi se perdendo. Ele passou a ser usado, gradativamente, como sinônimo de “sustentabilidade” — o que é tecnicamente incorreto.

Por que o ESG se tornou importante para as empresas
Fatores ambientais e sociais estão hoje entre os principais riscos à prosperidade econômica. Essa é a constatação anual do Fórum Econômico Mundial, expressa no estudo Global Risks, publicado todo mês de janeiro.
Neste contexto, é natural que estes fatores tenham emergido como temáticas de interesse em empresas de todo mundo. Não é uma questão de “plantar umas árvores porque é legal”. É questão de ser economicamente viável.
Uma fábrica de bebidas que atua em uma área de estresse hídrico, por exemplo, PRECISA olhar para os mananciais, sob pena de inviabilizar sua atuação.
Uma empresa sem olhar para a saúde mental da sua força de trabalho tende a ter maiores custos com turnover e afastamentos, sendo menos competitiva.
Mas, você pode me perguntar: o que a governança tem a ver com isso?
A boa governança, o terceiro e mais básico dos pilares, é o que permite que as ações ambientais e sociais sejam sustentadas ao longo do tempo. Uma governança frágil fragiliza os outros dois pilares, tornando-os efêmeros e sem efeito no longo prazo.
Nesse sentido, o olhar para os pilares ambiental, social e de governança se tornou condição necessária para que as empresas se sustentem em longo prazo em um mundo mais complexo e em constante transformação.
Os três pilares do ESG
A agenda ESG, como mencionado, é dividida nos pilares ambiental, social e de governança.
Para torná-los mais tangíveis quero te contar o que está dentro de cada um deles.
Antes, uma ressalva importante: não há uma única e definitiva lista de temas em cada um dos pilares do esg. Por isso, optei por usar como referência a ABNT PR 2030, prática recomendada da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Segundo ela, os três pilares se subdividem em 14 temas, que detalho melhor abaixo.
Ambiental (E)
O pilar ambiental (E) tem como foco a análise dos impactos ambientais das operações empresariais.
Segundo a ABNT PR 2030, os temas deste pilar são: Mudanças climáticas, Recursos hídricos, Biodiversidade e serviços ecossistêmicos, Economia circular e gestão de resíduos e Gestão ambiental e prevenção da poluição.
Social (S)
O pilar social (S) avalia a forma como as empresas se relacionam com pessoas e grupos, tanto interna quanto externamente.
Segundo a ABNT PR 2030, os temas deste pilar são: Diálogo social e desenvolvimento territorial, Direitos humanos, Diversidade, equidade e inclusão, Relações e práticas de trabalho e Promoção de responsabilidade social na cadeia de valor.
Governança (G)
O pilar de governança (G) diz respeito ao sistema interno de práticas, controles e procedimentos que uma organização adota para se governar, tomar decisões, cumprir a lei e atender às partes interessadas.
Segundo a ABNT PR 2030, os temas deste pilar são: Governança corporativa, Conduta empresarial, Práticas de controle e gestão e Transparência na gestão.
ESG na prática: como começar a implementar ESG
A implementação de ações ligadas a ESG deve seguir uma jornada, com alguns degraus. Abaixo exponho estes degraus, que estão detalhados em outros artigos indicados.
Diagnóstico ESG
O Diagnóstico ESG consiste em um levantamento detalhado das práticas ambientais (E), sociais (S) e de governança (G) de uma organização.
Trata-se de uma “fotografia” do nível de maturidade da organização em cada um dos pilares — o que contribui para a identificação de riscos e oportunidades e, consequentemente, para um planejamento da estratégia ESG mais eficaz.
A ABNT tem uma Prática Recomendada denominada PR2030:2022, que se propõe a ser um manual de implementação de uma estratégia ESG nas empresas. Nesta metodologia, o Diagnóstico ESG é o 3º passo para incorporar o ESG na organização, sendo antecedido apenas por:
1º passo- Conhecer: Aquisição de conhecimento sobre o caminho a ser percorrido, e;
2º passo- Ter intenção estratégica: A liderança deve incorporar intencionalmente as questões ESG relevantes à sua atividade, demonstrando comprometimento e ambição.
Se quiser ler o passo-a-passo para realização de um diagnóstico ESG clique aqui para ver o artigo completo!
Materialidade
O estudo de materialidade consiste no processo de definição de temas relevantes (materiais) de uma organização na agenda ESG.
Apesar do nome “materialidade” não ser tão intuitivo, ele fica bem simples de ser entendido se considerarmos que, nesta interpretação, ele é quase sinônimo de “relevante”.
Assim, “estudo de materialidade” é um “estudo de relevância” e os “temas materiais” que dele derivam são “temas relevantes”.
A materialidade é comumente representada por meio da matriz de materialidade, uma ferramenta usada para identificação e priorização dos temas relevantes para o seu negócio e para seus stakeholders (investidores, clientes, comunidade).
Se quiser ler o passo-a-passo para realização de uma materialidade clique aqui para ver o artigo completo!
Estratégia e metas
Muitas empresas cometem o erro de determinar temas materiais, mas não elaborar metas e indicadores para eles.
Este equívoco pode ser fatal, pois sem métricas claras os temas podem virar uma “lista de desejos” com pouca aplicação prática.
Nesse sentido, após o processo de materialidade, é fundamental que a empresa construa uma estratégia ESG, elaborando metas, métricas e planos de ação para cada um dos temas materiais.
Se quiser ler o passo-a-passo para elaboração de uma estratégia de sustentabilidade clique aqui para ver o artigo completo!
Relatório ESG
O último passo da jornada ESG de uma empresa é a elaboração de um relatório completo, reportando a evolução interna da agenda.
Estes relatórios são anuais, tradicionalmente publicados no segundo trimestre, e podem ter diferentes padrões, como IFRS S1 e S2, GRI e SASB.
Os relatórios podem ser feitos internamente ou com ajuda de uma consultoria externa. Independentemente do processo, costumam começar com uma carta da alta liderança, expõem a materialidade e avançam para a divulgação das métricas dos temas.
Vale frisar que, depois do relatório publicado, a jornada não está finalizada. Pelo contrário: a implementação da estratégia é contínua, assim como sua revisão.
Quer ler mais sobre o processo de relato? Aqui tenho um artigo mais aprofundado sobre!
Benefícios do ESG
A implementação de uma estratégia ESG em empresas traz diversos benefícios. Abaixo cito alguns.
Diminuição de riscos
Empresas que são proativas na gestão das suas agendas ambientais e sociais diminuem os riscos de algum evento adverso ligado a elas.
Isso torna a empresa mais sustentável a longo prazo, visto que eventos ambientais e sociais extremos têm sido gradativamente mais frequentes.
Melhoria de resultado financeiro
Uma agenda ESG bem implementada, além de diminuir riscos, ainda pode gerar recursos financeiros adicionais para as empresas.
Um exemplo são os diversos casos de organizações que transformam resíduos, antes descartados, em novos produtos e novas fontes de receita.
Também há organizações que diminuem custos trabalhistas ao investir em práticas de bem-estar para sua força de trabalho.
Acesso a clientes
Empresas que vendem diretamente para indivíduos têm sentido a demanda por produtos ambientalmente e socialmente conscientes crescer no mundo todo.
Em paralelo, empresas que vendem para outras empresas têm sido pressionadas por estes clientes corporativos a implementar ações sociais e ambientais — como fazendas que fornecem para grandes marcas de bebidas e precisam ter ações trabalhistas comprovadamente justas e saudáveis.
Em qualquer um dos casos acima, uma agenda ESG bem implementada facilita o acesso aos mercados.
Diminuição do custo de capital
Crescem, em todo o mundo, linhas de crédito com juros mais baixos voltadas para empresas com boas práticas ESG. Esta agenda pode, assim, funcionar como um vetor para diminuição do custo de capital.
Mitos sobre ESG
ESG está acabando? Essa agenda é só para grandes empresas? Abaixo falo sobre alguns dos principais mitos do ESG.
ESG foi uma onda que passou
O mundo mudou, mudará e não haverá forma de fazer negócios ignorando as agendas social, ambiental e de governança. Esta é a realidade.
Nesse sentido, ESG não é nem foi uma onda. ESG é uma ótica integrada à estratégia da empresa que permitirá que ela se sustente em longo prazo. É uma forma de ver os negócios para além dos números.
ESG é para empresas grandes
ESG é para empresas que geram impacto social e ambiental. Ou seja: qualquer uma.
É claro que uma grande mineradora vai ter um impacto muito maior do que uma loja de bairro. Mas é inegável que ambas podem, a seu modo e respeitando seu tamanho, olhar para questões ESG para tornarem o negócio mais resiliente.
ESG é só ambiental
Como mostrado aqui, ESG está baseado em um tripé. Ambiental é uma parte muito importante dele, mas certamente não a única (e, dependendo do setor, sequer é a principal).
ESG é caro
Uma agenda ESG bem implementada, como mostrado acima, aumenta receitas e diminui custos.
É, portanto, uma agenda que pode, e deve, gerar resultados financeiros para as empresas.
O ESG como caminho para negócios mais resilientes
Espero que neste texto eu tenha conseguido deixar claro o que é o ESG para mim: uma agenda do presente e do futuro, voltada para integrar três pilares na estratégia de uma empresa e torná-la mais sustentável.
Viveremos em um mundo gradativamente mais convulsionado por questões ambientais e sociais — sendo impossível que as empresas não olhem para elas.
Integrar ESG, assim, é integrar tendências inevitáveis e se integrar em um mundo complexo e em formação.
Mas, como disse ao longo do texto, a jornada ESG não é uma via única. É um caminho múltiplo e contínuo, que passa por um olhar permanente para dentro.
Você precisa de ajuda neste movimento? Já atuei com dezenas de empresas ajudando nesta jornada ESG. Estou pronto para te ajudar também! Fale comigo e vamos continuar esta conversa!


