Relatórios impressos de analytics com gráficos e mapas sobre uma mesa de madeira, ao lado de um teclado, uma caneta e um smartphone, representando análise de dados e desempenho digital.
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14 de jan. de 2026

Relatório ESG: por onde começar e como montar o seu

Entenda o que é um relatório ESG, por que ele é importante e quais são os primeiros passos para estruturar um documento consistente, alinhado à materialidade, aos dados e aos principais frameworks de sustentabilidade.

Marcos Pinheiro

Marcos Pinheiro

@marcospinheiroesg

O relatório ESG é uma das principais ferramentas de transparência das empresas para comunicar seu desempenho ambiental, social e de governança. Mais do que uma obrigação crescente, ele ajuda a organizar indicadores, orientar decisões estratégicas e fortalecer o relacionamento com stakeholders.

Uma das principais ferramentas de transparência que as empresas utilizam para divulgar informações relevantes para seus stakeholders são os relatórios ESG. 

Ao navegar no  site de uma grande empresa, na seção de Sustentabilidade, você provavelmente já se deparou com ao menos um destes relatórios. Eles passam a ser praticamente uma obrigação, e não apenas uma boa prática.

Por isso, vou aqui te mostrar como fazer um relatório seguindo o passo-a-passo certo!

O que é um Relatório ESG

Um Relatório ESG é um documento que as empresas utilizam para comunicar, de maneira transparente, o seu desempenho, compromissos e indicadores nos três pilares da sustentabilidade corporativa: ambiental, social e governança.

Diferentemente dos relatórios financeiros tradicionais, ele oferece uma visão mais holística e abrangente do impacto e do gerenciamento de riscos e oportunidades de uma organização, demonstrando comprometimento com a sustentabilidade.

O relatório ESG desempenha papel fundamental na gestão e na divulgação da sustentabilidade corporativa. De um lado, permite que a empresa olhe de forma consolidada para seus indicadores.

Por que o Relatório ESG é importante

O Relatório ESG é importante, pois comunica  aos diferentes stakeholders (partes interessadas), informações relevantes do desempenho em sustentabilidade da organização. 

Por exemplo, um investidor pode buscar informações referentes às práticas de governança da empresa, uma vez que se trata de um tema essencial para sua perenidade. 

Já um morador do município onde a empresa tem fábrica pode se interessar em conhecer mais as iniciativas referentes à conservação da biodiversidade local.

A transparência das informações é significativa, pois é chave para o bom relacionamento com os stakeholders. O relato de suas atividades está intrinsecamente ligado à responsabilidade da empresa  com a sociedade.

Por onde começar: primeiros passos do Relatório ESG

O Relatório ESG é um documento estratégico e recheado de informações relevantes sobre a atuação da organização. 

Assim, ele deve ser construído com bastante seriedade e consistência na coleta de informações. 

Conheça mais sobre as etapas essenciais para a construção de qualquer relatório ESG.

1.Avalie o ponto de partida (diagnóstico)

Antes de iniciar a construção do relatório, é importante realizar um breve diagnóstico sobre quais dados existem e estão disponíveis para serem utilizados no processo.  

É válido conversar com lideranças das áreas para passar por um processo de aculturamento e, em paralelo, levantar documentos relevantes, tais como relatórios já publicados (por exemplo, de informações financeiras), indicadores de áreas e políticas. .  

Caso tenha realizado um Diagnóstico ESG, este passo já deve estar bastante adiantado e irá te auxiliar no mapeamento destas informações.

2. Defina os temas prioritários (materialidade)

A materialidade define quais temas serão o foco do relato. Assim, é importante que tenha sido realizado um Estudo da Materialidade ANTES de qualquer relato. 

Os temas materiais são os norteadores para quais informações e indicadores devem constar no  Relatório ESG. 

Além deles, é importante entender quais outros temas setoriais são exigidos pelo framework adotado. O GRI tem, por exemplo, temas obrigatórios para poucos e específicos setores. Cheque se é o seu caso!    

3. Colete dados e indicadores

Uma vez definidos quais temas serão relatados, inicia-se a etapa de coletar os dados que constarão no seu relatório. Eles devem refletir com clareza e consistência:

  • aos objetivos e metas de sua organização em relação aos temas;

  • as métricas ambientais, sociais e de governança utilizadas, e;

  • os resultados em relação aos objetivos.

É recomendado que os dados indiquem a evolução temporal no desempenho da organização, ou seja, quanto mais dados anuais puderem ser comparados entre si, melhor. 

Há inúmeras formas de fazer esta gestão dos dados e indicadores: tanto mais completas, como ferramentas pagas que tratam os dados de maneira integral, quanto mais simples, como  planilhas e controles criados internamente na empresa.

4. Organize e valide informações com as áreas

Uma vez finalizada a coleta de dados para compor o relatório, inicia-se a construção da escrita do relatório com os dados organizados por pilar (ambiental, social e governança) e por tema material. É recomendado que as devidas áreas recebam este material para validarem as informações relatadas antes do documento ser finalizado.

Caso a empresa tenha comitê ESG, é importante que ele também valide esta etapa do processo de relato.

5. Estruture a narrativa (texto + dados)

Mais do que um relato “frio” de indicadores, o relatório ESG também é um veículo de comunicação da empresa e pode contar boas práticas que a organização realiza dentro de cada um dos pilares ESG. Assim, além dos indicadores, ele deve ser elaborado com textos que reflitam o tom de voz e o posicionamento de marca da empresa. 

No início do relatório, inclua uma seção institucional, que contextualize o leitor sobre o que faz, qual desafio se propõe a resolver, onde se localiza e qual o histórico da sua organização. Lembre-se que é possível utilizar o relatório para contar boas histórias! 

6. Unifique o documento

Uma vez finalizado o conteúdo do documento, é hora de dar uma cara bonita ao seu relatório! Aqui, é comum solicitar a um designer que crie a identidade visual do, para seguir a estratégia de comunicação da empresa e resultar em um documento agradável de ser lido. 

É possível criar um resumo executivo do relatório, que traga as principais informações e infográficos. 

O relatório deve ser disponibilizado em formato PDF no site da empresa, na seção que mais fizer sentido, como “Sustentabilidade”, como é feito no site da Natura. Além disso, ele pode ser divulgado em outros canais, tais como LinkedIn e portais internos para colaboradores.

Natura é um exemplo de transparência na divulgação de informações de sustentabilidade

Estrutura recomendada de um Relatório ESG

Cada framework de relato possui suas diretrizes para estruturação do relatório ESG, no entanto, eles costumam seguir uma lógica similar, em geral. Abaixo, você encontrará uma estrutura padronizada para construção do seu relatório: 

 

  • Abertura do relatório 

    • carta de CEO ou alta liderança executiva

    • escopo do relatório

  • Contextualização sobre a empresa

    • Atuação

    • Propósito e valores

    • Localização geográfica

    • Principais números (quantidade de colaboradores, por exemplo)

    • Estrutura de gestão e governança

  • Principais destaques e realizações do ano relatado

  • Visão ESG

    • Materialidade

    • Estratégia ESG

    • Compromissos e metas

  • Divulgação de iniciativas e indicadores sobre os temas materiais em cada pilar:

    • Ambiental

    • Social

    • Governança

  • Anexos

Principais frameworks e padrões

sustentabilidade empresarial. Apesar da adesão a cada um dos frameworks ser usualmente opcional, ela é fortemente indicada, pois gera credibilidade e robustez ao relato.

GRI (Global Reporting Initiative)

Os Padrões GRI (Global Reporting Initiative) podem ser utilizados por qualquer organização, independentemente do tamanho, setor ou localização, sejam elas públicas ou privadas. 

Este é um dos padrões mais utilizados pelas empresas aqui no Brasil. Segue a abordagem de materialidade de impacto.

Este padrão utiliza um sistema modular composto por três séries de normas para guiar o relato de sustentabilidade:

  • Normas Universais: Aplicáveis a todas as organizações. Fornecem os princípios fundamentais (ex.: precisão, equilíbrio) e requisitos básicos.

  • Normas Setoriais: Específicas para setores (ex.: petróleo e gás). Incluem os tópicos materiais mais relevantes para cada setor.

  • Normas Temáticas: Relacionadas a tópicos específicos (ex.: emissões, direitos humanos, segurança no trabalho).

Cada Padrão é composto por divulgações que estruturam as informações a serem reportadas, contendo requisitos obrigatórios e recomendações opcionais. Eles também fornecem orientações (exemplos e explicações) para facilitar a compreensão.

IFRS S1/S2

Trata-se do conjunto de normas criadas em 2023 pelo International Sustainability Standards Board (ISSB) para criar um padrão mundial unificado de relatos de sustentabilidade, com foco em informações para  investidores. O ISSB foi criado em 2021 pela IFRS Foundation (International Financial Reporting Standards).

O IFRS S1 trata dos requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, enquanto o IFRS S2 é focado em informações relacionadas ao clima.

O Brasil se tornou, em 2023, o primeiro país do mundo a adotar as regras de sustentabilidade no padrão IFRS nas peças de divulgação de informações das empresas a seus investidores. 

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) determinou que as empresas de capital aberto serão obrigadas a publicar relatórios baseados nas normas IFRS S1 e S2 a partir do exercício de 2026 (com adoção voluntária permitida a partir de 2024/2025).

Relatório Integrado (IIRC)

O Relatório Integrado foi desenvolvido pelo IIRC (International Integrated Reporting Council) e traz o conceito de que as informações corporativas sejam trazidas com conectividades entre diferentes tipos de informação. 

Ele é baseado em 3 pilares: criação de valor ao longo do tempo, conectividade da informação e construção de valor a partir de seis tipos de capitais. Estes seis capitais são os seguintes: Financeiro, Manufaturado, Intelectual, Humano Social e de Relacionamento e Natural.

Apesar de terem muitas semelhanças e finalidades similares, os padrões apresentam algumas diferenças. As principais delas são: 

  • GRI segue a abordagem de materialidade de impacto, enquanto IFRS segue a de materialidade financeira; já o Relato Integrado se baseia em uma materialidade híbrida, conectando fatores ESG à capacidade da empresa de criar valor financeiro;

  • A adoção do framework GRI é totalmente opcional, enquanto a do IFRS S1/S2 passa a ser obrigatória para empresas de capital aberto;

  • Enquanto os relatórios elaborados sob critérios do GRI são para um público alvo bastante abrangente (indo de acionistas até organizações parceiras), o  IFRS S1/S2 e o Relato Integrado focam a leitura a partir dos olhos dos investidores.  

Saiba mais sobre estas diferenças no artigo “Diferença entre GRI, IFRS e relatório integrado”.

Dicas finais para um relatório claro e consistente

Seguir o passo a passo sugerido acima é uma ótima maneira de garantir um relatório robusto e coerente para os stakeholders. No entanto, o processo de relato, ainda mais para empresas que estão iniciando nesta jornada, pode ser desafiador. Confira abaixo algumas dicas para tornar este processo mais simples e com melhores resultados:

  • Foco na materialidade: a materialidade é um fator indispensável na escrita e construção lógica do relatório;

  • Dê preferência para uma linguagem objetiva e simples, de modo que um leitor leigo no tema consiga compreender e absorver as principais informações;

  • Não deixe de trazer dados evolutivos de modo que o leitor possa comparar, de maneira consistente, os dados fornecidos;

  • Cuidado com o ESG washing, ou seja, não utilize o relatório como ferramenta única e exclusiva de promoção da empresa; os dados e cases presentes devem ser reais e possuir lastro.

Está precisando de apoio para seu relatório ESG? Fale comigo! Tenho experiência no tema e certamente poderei te ajudar!