Relatório financeiro com gráfico circular, gráficos de barras e smartphone sobre a mesa, representando análise de dados e desempenho corporativo.
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16 de jan. de 2026

Diferença entre relatório GRI, IFRS e relatório integrado

Entenda as principais diferenças entre relatório GRI, IFRS S1 e S2 e Relato Integrado, seus objetivos, públicos e como escolher o modelo mais adequado para sua empresa.

Marcos Pinheiro

Marcos Pinheiro

@marcospinheiroesg

Com a evolução da agenda ESG, os relatos de sustentabilidade passaram a ocupar um papel central na transparência e na estratégia das organizações. No entanto, ainda é comum surgirem dúvidas sobre as diferenças entre os principais modelos de reporte utilizados no mercado, como o GRI, as normas IFRS S1 e S2 e o Relato Integrado.

Cada vez fala-se mais sobre relatos de sustentabilidade. Ao passo que relatórios financeiro-contábeis já fazem parte da rotina de empresas há tempos, documentos que sintetizam informações sobre o desempenho ambiental e social das organizações é algo mais recente — e com certeza não menos importante.

Com a busca por organizações mais responsáveis e transparentes, os relatos de sustentabilidade passam a ser uma ferramenta chave para a manutenção do bom relacionamento com as partes interessadas. 

Vamos entender um pouco mais sobre os diferentes tipos de relatórios ESG?

Por que existem diferentes tipos de relatório ESG

Com a evolução da sustentabilidade corporativa, as empresas passam a ser cobradas (mesmo que não por lei, mas certamente pelos stakeholders) a relatar suas informações referentes a processos e impactos. 

As diferentes necessidades do mercado deram origem a distintos padrões de relatórios ESG. Alguns nascem de um viés mais financeiro, por exemplo, e outros sob um olhar mais do impacto que a organização gera na sociedade. 

Apesar de existir um esforço de padronização, ainda há diversos padrões internacionais de relato que as empresas podem seguir - que servem a diferentes necessidades 

O cenário é dinâmico e está em constante atualização e as organizações devem se ater às mudanças legais e normativas na hora de iniciar seu processo de relato. Saiba mais sobre este processo no artigo “Relatório ESG: como montar o seu”.

O que é o Relatório GRI (Global Reporting Initiative)

O GRI é o padrão de relato mais utilizado globalmente pelas organizações para divulgação de impactos econômicos, sociais e ambientais de suas atividades. 

Ele utiliza um sistema modular composto por três séries de normas para guiar o relato de sustentabilidade:

  • Normas Universais (GRI 1, GRI 2 e GRI 3): Aplicáveis a todas as organizações. Fornecem os princípios fundamentais e requisitos básicos para relatar em conformidade com as Normas GRI;

  • Normas Setoriais: Específicas para alguns setores (ex.: mineração, agricultura). Incluem os tópicos materiais mais prováveis de cada setor de atuação;

  • Normas Temáticas: Relacionadas a tópicos específicos (ex.: emissões, direitos humanos, segurança no trabalho). A organização usa as Normas Temáticas de acordo com a lista de temas materiais que definiu usando a Norma GRI 3.

A abordagem que o GRI utiliza é a de materialidade de impacto, ou seja, se concentra nos temas nos quais a empresa gera mais impactos no meio ambiente e na sociedade. 

Lembrando que, se sua empresa deseja relatar pelo GRI, já deve ter realizado um Estudo de Materialidade para definição destes temas. 

O que são IFRS S1 e S2 (International Sustainability Standards Board)

As normas IFRS S1 e S2 foram criadas pelo ISSB (International Sustainability Standards Board). Tratam-se de um conjunto de normas focadas no relato de sustentabilidade integrado às informações financeiras sendo, assim, voltadas para análise de investidores.

A norma IFRS S1 é aplicável a todos os setores e trata dos requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. 

Sua estrutura traz quatro pilares principais:

  1. Governança: Como a sustentabilidade é gerenciada e supervisionada em sua organização?

  2. Estratégia: Como a sustentabilidade está integrada à sua estratégia de negócio?

  3. Gestão de riscos: Como são identificados e gerenciados os riscos ligados à sustentabilidade?

  4. Métricas: Quais são suas metas organizacionais e como é mensurado o progresso?

Já a norma IFRS S2 é focada em riscos e oportunidades relacionadas ao clima. Classifica os riscos climáticos em dois tipos:

  • Riscos físicos: incluindo, por exemplo, secas, incêndios florestais, enchentes, e;

  • Riscos transicionais: decorrentes da transição da descarbonização


A norma IFRS S2 analisa a atuação da organização em relação aos riscos e oportunidades climáticas.

 

Mas não só de riscos vive a IFRS S2! Ela trata também das oportunidades de negócio, tais como: investimentos em inovação, práticas sustentáveis e transição energética.

O que é um Relatório Integrado (IR Framework)

Existente desde 2014, o Relato Integrado foi criado a partir do IIRC (International Integrated Reporting Council). É um documento conciso que combina informações financeiras e não financeiras para mostrar como uma organização cria valor a curto, médio e longo prazo.

Ele é baseado em 3 pilares: criação de valor ao longo do tempo, conectividade da informação e construção de valor a partir de seis tipos de capitais. Estes capitais são: Financeiro, Manufaturado, Intelectual, Humano Social e de Relacionamento e Natural.

Sua proposta é fornecer ao leitor uma visão completa e holística do desempenho da empresa, colocando a sustentabilidade como centro da estratégia de negócio e capacidade de geração de valor de uma organização.

Principais diferenças entre GRI, IFRS e Relatório Integrado

Apesar de terem muitas semelhanças e finalidades similares, os padrões apresentam algumas diferenças. Entenda, a seguir, um pouco mais a fundo quais são estas diferenças.

  1. Objetivo

Cada um dos padrões tem uma origem distinta e, portanto, objetivos centrais diferentes. 

O GRI nasce de uma preocupação em relação ao impacto das organizações no meio ambiente e na sociedade e, portanto, aborda os temas a serem relatados a partir de uma ótica do impacto. 

As normas IFRS S1 e S2 foram criadas mais recentemente e tiveram como base o SASB, o CDP, o próprio GRI e outros padrões já existentes — sempre sob a ótica da análise financeira. 

Já o Relato Integrado nasce no contexto dos relatos financeiros-contábeis e traz uma visão mais abrangente da capacidade de geração de valor da organização. 

2. Público-alvo

O GRI destina-se ao público em geral. Ou seja, tanto um público leigo quanto um especialista conseguem ler o relatório e compreendê-lo sem grandes dificuldades. É importante que o relatório GRI seja construído de forma que seus principais stakeholders (sejam eles fornecedores ou acionistas) consigam extrair as principais informações sobre os impactos e iniciativas ESG da empresa.

Já o IFRS e o Relato Integrado têm como principal público-alvo os investidores e acionistas. Estes dois formatos de relatórios apresentam uma linguagem mais técnica de finanças que a maioria dos leitores leigos não conseguiria compreender com facilidade. 

3. Ponto de partida

O GRI traz uma abordagem do impacto que a empresa tem sobre a sociedade e meio ambiente e como os fatores externos influenciam no seu desempenho econômico (dupla materialidade).

Já o IFRS aborda de forma mais concisa os riscos e oportunidades financeiros gerados a partir de temas materiais. 

Por outro lado, o Relato Integrado traz uma visão mais holística do negócio. Ou seja, fornece insumos para a sustentabilidade ser analisada a partir da geração de valor que o modelo de negócios da organização apresenta.

4. Indicadores exigidos

Os três modelos de relatório podem ser enxergados como ferramentas estruturadas de comunicação, que vão além da transparência de dados e indicadores. 

No entanto, o nível de exigência dos indicadores demandados por cada modelo muda. O GRI trata de indicadores mais abrangentes em relação à atuação da companhia, passando por temas diversos como relação salarial e emissão de gases do efeito estufa. 

Já no IFRS, há um maior rigor em relação aos indicadores relatados. Eles devem fazer relação direta dos riscos e oportunidades e os impactos financeiros na organização. Esta necessidade de conectividade entre os temas materiais e seus indicadores financeiros traz uma maior complexidade na construção do relato.

Como escolher qual relatório sua empresa deve usar

A decisão sobre qual framework de relatório a empresa deve adotar pode ser pautada nos seguintes fatores:

  • Obrigatoriedade legal;

  • Nível de maturidade ESG da empresa;

  • Pressão dos stakeholders.

A obrigatoriedade legal de utilizar algum modelo é o primeiro ponto nesta decisão, uma vez que sua não adoção pode gerar prejuízos e sanções à empresa. 

No Brasil, empresas de capital aberto, por exemplo, passam a ser obrigadas a utilizar as normas IFRS S1 e S2 a partir das Resoluções CVM n° 217, 218 e 219, como detalhado neste artigo.

O segundo fator que influencia nesta decisão é o nível de maturidade ESG da empresa. Ao realizar o Diagnóstico ESG, ficará mais clara esta maturidade. É importante que neste ponto seja considerada a robustez da estrutura de gestão de dados e indicadores a serem relatados e sua interconectividade entre as áreas da empresa.

Por fim, mas não menos importante, é recomendado avaliar qual a pressão existente dos stakeholders para o modelo de relato. Pode ser que acionistas, por exemplo, demandem que o relato seja feito através das normas IFRS S1 e S2. 

Se sua empresa precisa entender qual modelo de relatório adotar, veja como funciona o serviço de Relatórios ESG.

Como os três modelos se complementam

A Estratégia ESG da sua organização trará um norte sobre qual tipo de relato deverá ser utilizado. Eles podem, inclusive, ser complementares. Ao utilizar mais do que um padrão de reporte, a empresa passa a atender de forma abrangente às necessidades de suas diversas partes interessadas.

Os reportes se complementam, pois trazem uma visão bastante rica de uma organização em relação aos riscos, oportunidades e capacidade de manter sua perenidade ao longo do tempo. É possível analisar uma mesma organização sob diversas óticas: desempenho ambiental, responsabilidade social, governança, performance financeira e geração de valor.

Todos os frameworks apresentados neste artigo cumprem aos 4 principais objetivos de um relatório ESG: 

  1. Fornecer transparência: prestar contas aos  stakeholders;

  2. Ser uma ferramenta de gestão: como a empresa gerencia seus impactos e processos internos, promovendo melhoria contínua;

  3. Apoiar na estratégia: dão suporte ao planejamento estratégico da empresa, através da revisão de metas e políticas de sustentabilidade;

  4. Engajamento com stakeholders: a consistência e previsibilidade do relato promove o engajamento das partes interessadas.

Sua empresa deseja fazer um relatório de sustentabilidade, independentemente do formato? Entre em contato comigo! Com certeza, posso te ajudar muito nesta trajetória, na qual já tenho experiência!