16 de jan. de 2026
O que são os ODS e como aplicá-los na empresa
Entenda o que são os ODS, por que importam para empresas e veja um passo a passo prático para aplicar a Agenda 2030 com metas, indicadores e ações.

Marcos Pinheiro
@marcospinheiroesg
Com a consolidação da agenda ESG, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) passaram a ocupar um papel central na forma como empresas estruturam suas estratégias de sustentabilidade. Criados pela Organização das Nações Unidas no contexto da Agenda 2030, os ODS oferecem um referencial comum para enfrentar desafios sociais, ambientais e econômicos de maneira integrada, reconhecendo que questões como desigualdade, mudanças climáticas, degradação ambiental e fragilidades institucionais exigem respostas sistêmicas e coordenadas.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são um conjunto de diretrizes globais criadas para orientar esforços coletivos na direção de um desenvolvimento mais equilibrado, inclusivo e sustentável.
Eles funcionam como uma referência comum para enfrentar desafios estruturais que atravessam países, setores e modelos de negócios, conectando dimensões sociais, ambientais e econômicas de forma integrada.
Os ODS foram criados pelas Nações Unidas, a partir da adoção da Agenda 2030, em 2015, por 193 Estados-membros.
Essa agenda sucedeu os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e ampliou seu escopo, reconhecendo que problemas como desigualdade, degradação ambiental, mudanças climáticas, precarização do trabalho e fragilidade institucional exigem respostas mais sistêmicas e coordenadas.
A Agenda 2030 estabelece um horizonte temporal claro e ambicioso, mas sua força está menos na data-limite e mais na lógica de transformação que propõe.
Em um cenário global marcado pela urgência climática e por discussões em fóruns internacionais, como a COP 30 no Brasil, o engajamento das empresas com os ODS deixa de ser uma escolha reputacional e passa a integrar o debate estratégico sobre competitividade, resiliência e geração de valor no longo prazo.
Quais são os 17 ODS
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável abrangem um conjunto amplo de temas que refletem os principais desafios do desenvolvimento no século XXI.
Eles vão desde a erradicação da pobreza e da fome até a promoção da saúde e do bem-estar, passando pela garantia de educação de qualidade, igualdade de gênero e acesso à água e ao saneamento.
A seguir, um resumo claro de cada objetivo. A ideia aqui não é te falar isso para você decorar as metas dos ODS - mas sim explicitar o “mapa” de temas.
Erradicação da Pobreza — reduzir a pobreza em todas as formas.
Fome Zero e Agricultura Sustentável — segurança alimentar e produção responsável.
Saúde e Bem-Estar — vidas saudáveis e qualidade de vida.
Educação de Qualidade — educação inclusiva e aprendizagem contínua.
Igualdade de Gênero — equidade, proteção e oportunidades para mulheres e meninas.
Água Potável e Saneamento — acesso, qualidade e gestão da água.
Energia Acessível e Limpa — energia confiável, moderna e sustentável.
Trabalho Decente e Crescimento Econômico — empregos dignos, produtividade e direitos.
Indústria, Inovação e Infraestrutura — inovação, tecnologia e infraestrutura resiliente.
Redução das Desigualdades — inclusão social, econômica e política.
Cidades e Comunidades Sustentáveis — urbanização segura, inclusiva e resiliente.
Consumo e Produção Responsáveis — eficiência, resíduos, circularidade e transparência.
Ação Contra a Mudança Global do Clima — mitigação, adaptação e resiliência climática.
Vida na Água — conservação de oceanos e recursos marinhos.
Vida Terrestre — biodiversidade, florestas, solos e ecossistemas.
Paz, Justiça e Instituições Eficazes — ética, combate à corrupção e acesso à justiça.
Parcerias e Meios de Implementação — cooperação para acelerar resultados

Por que os ODS são importantes para empresas
Em um cenário no qual ESG ganhou escala, os ODS funcionam como uma linguagem comum. Eles ajudam a evitar discursos genéricos e trazem um vocabulário mais concreto para priorizar o que importa.
Na prática, ODS nas empresas costumam gerar valor em quatro frentes.
1) Prioridade e foco
A Agenda 2030 é ampla. ODS ajudam a sair do “queremos fazer tudo” para o “vamos fazer o que é relevante e executável”.
2) Gestão de riscos e oportunidades
Clima, cadeia de valor, trabalho decente, direitos humanos, diversidade, resíduos. Tudo isso aparece nos ODS e, ao mesmo tempo, impacta risco operacional, reputação e competitividade.
3) Eficiência e melhoria de processos
Quando a empresa conecta objetivos a indicadores, surgem ganhos diretos de eficiência - principalmente em energia, água, resíduos e consumo de insumos, com impacto em sustentabilidade ambiental e custo.
4) Cultura e confiança
ODS bem aplicados reforçam coerência. Internamente, ajudam a engajar pessoas. Externamente, facilitam a transparência com clientes, parceiros e investidores.
Como aplicar os ODS na prática dentro da empresa: passo a passo
Agora que te dei toda essa contextualização conceitual, quero ser mais prático. Vou te contar aqui embaixo um passo a passo para usar os ODS na sua empresa.
Entenda seu contexto e impactos
O primeiro passo é compreender o contexto em que a empresa está inserida e os impactos que gera ao longo de sua cadeia de valor.
Isso envolve analisar o setor de atuação, o território, os principais riscos e oportunidades associados às operações, além dos impactos sociais, ambientais e econômicos diretos e indiretos.
Toda empresa impacta, de alguma forma, o ambiente em que atua, seja pelo uso de recursos naturais, pelas relações de trabalho que estabelece, pelos produtos e serviços que oferece ou pelas decisões de investimento que toma.
Entender esse conjunto de impactos é essencial para que a aplicação dos ODS não seja genérica ou desconectada da realidade.
ODS e temas materiais
A conexão entre ODS e o estudo de materialidade é o que dá robustez à estratégia. Ao identificar quais temas são realmente relevantes para o negócio e para seus principais stakeholders, a empresa consegue relacioná-los de forma clara aos ODS correspondentes.
Esse exercício evita abordagens superficiais e ajuda a integrar os ODS à agenda ESG de maneira estruturada.
Em vez de tratar os objetivos como um conjunto externo de compromissos, eles passam a funcionar como um referencial que qualifica decisões já presentes na gestão, como políticas internas, investimentos prioritários e indicadores de desempenho.
Defina ODS prioritários a partir da estratégia do negócio
Todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são relevantes enquanto agenda global. No entanto, do ponto de vista da gestão empresarial, a questão central não é a relevância em si, mas o papel que cada organização pode desempenhar em relação a esses objetivos.
Empresas diferem em porte, setor, território de atuação, cadeia de valor e modelo de negócio. Essas diferenças determinam onde a organização tem maior capacidade de gerar impacto positivo ou mitigar impactos negativos.
Priorizar ODS, nesse contexto, não significa ignorar os demais, mas reconhecer onde faz mais sentido concentrar esforços, recursos e capacidade de execução.
Essa priorização estratégica contribui para maior coerência entre discurso e prática. Em vez de adotar uma abordagem ampla e pouco profunda, a empresa direciona suas ações para os objetivos nos quais pode contribuir de forma consistente, mensurável e alinhada à sua estratégia.
Com o tempo, esse foco tende a gerar aprendizados, fortalecer a governança e criar condições para ampliar o escopo de atuação de forma mais estruturada.
Faça escolhas conscientes e exequíveis
Definir ODS prioritários é uma decisão estratégica, não um exercício de alinhamento discursivo. Para que essa escolha gere valor real, a empresa precisa analisar onde sua atuação efetivamente reduz riscos, fortalece a operação e cria oportunidades de crescimento sustentável.
Isso exige olhar para o modelo de negócio, a cadeia de valor, o posicionamento competitivo e os recursos disponíveis, além do grau de influência que a organização exerce sobre cada tema.
A adoção de compromissos desconectados dessa leitura tende a produzir iniciativas pouco estruturadas, difíceis de escalar e com baixo retorno estratégico. Quando os ODS não dialogam com o planejamento do negócio, eles permanecem à margem da tomada de decisão e deixam de contribuir para a perenidade da empresa.
Por outro lado, escolhas bem calibradas permitem integrar sustentabilidade à gestão de riscos, à eficiência operacional e à captura de novas oportunidades.
Em muitos contextos, concentrar esforços em um conjunto mais delimitado de ODS possibilita transformar diretrizes globais em ações concretas, com metas claras, responsáveis definidos e capacidade real de acompanhamento.
Esse foco favorece o planejamento de médio e longo prazo, amplia a legitimidade da estratégia ESG e cria bases mais sólidas para o crescimento do negócio, à medida que impacto, desempenho e valor passam a caminhar de forma consistente.
Atribua valor ao negócio
A incorporação dos ODS à estratégia da empresa se consolida quando objetivos globais são traduzidos em metas claras e indicadores mensuráveis. Definir metas não é apenas uma exigência de reporte, mas um instrumento de gestão.
Sem indicadores bem definidos, a agenda de sustentabilidade tende a permanecer no campo das intenções, com pouca capacidade de orientar decisões e avaliar desempenho.
Nesse contexto, KPIs simples e diretamente conectados à operação costumam ser mais eficazes do que métricas complexas e difíceis de acompanhar.
Indicadores bem escolhidos permitem monitorar avanços de forma contínua, apoiar ajustes de rota e integrar os ODS aos processos de planejamento, orçamento e avaliação de resultados.
Quando bem estruturados, esses indicadores contribuem para reduzir riscos, melhorar a eficiência e dar visibilidade ao retorno das ações adotadas.
Crie ações práticas por ODS
Metas e indicadores precisam se materializar em ações concretas. A aplicação dos ODS ganha força quando orienta iniciativas diretamente relacionadas ao dia a dia da empresa. Dependendo do setor e do contexto, isso pode envolver políticas de diversidade e inclusão, programas de eficiência energética, gestão de resíduos, promoção de condições dignas de trabalho ou cuidados com direitos humanos na cadeia de fornecedores.
O ponto central é que essas ações estejam integradas à operação e aos processos decisórios, e não tratadas como projetos paralelos.
Iniciativas bem desenhadas permitem transformar compromissos estratégicos em práticas consistentes, fortalecendo a capacidade da empresa de gerar impacto positivo ao mesmo tempo em que aprimora sua gestão e competitividade.
Engaje equipes e lideranças
A implementação dos ODS depende, em grande medida, do engajamento interno. Lideranças exercem papel decisivo ao incorporar o tema às prioridades estratégicas, às rotinas de gestão e às formas de tomada de decisão.
Sem esse direcionamento, os ODS tendem a ser percebidos como uma agenda restrita a áreas específicas, com pouco efeito sobre a cultura organizacional.
Ao mesmo tempo, é fundamental que as equipes compreendam como suas atividades se conectam aos objetivos estabelecidos.
Quando os ODS são traduzidos para o cotidiano do trabalho, eles deixam de ser um discurso institucional e passam a orientar comportamentos, escolhas operacionais e processos. Esse alinhamento fortalece a cultura organizacional e cria condições para uma implementação mais consistente e duradoura.
Monitore resultados e comunique avanços
Monitorar resultados é parte essencial da gestão dos ODS. Acompanhamento sistemático permite avaliar o progresso, identificar desafios e ajustar estratégias ao longo do tempo.
Mais do que cumprir exigências externas, esse monitoramento contribui para elevar a qualidade da tomada de decisão e integrar a sustentabilidade ao ciclo de planejamento do negócio.
A comunicação dos avanços deve ser feita de forma transparente e coerente com a prática. Relatórios ESG, relatórios anuais e canais de comunicação interna são instrumentos importantes para consolidar compromissos, prestar contas aos stakeholders e reforçar aprendizados.
Quando bem utilizados, esses mecanismos fortalecem a reputação da empresa e demonstram que os ODS fazem parte de uma estratégia estruturada, orientada a resultados e voltada ao crescimento sustentável.
Exemplos de ODS aplicados no dia a dia
Quando incorporados à gestão, os ODS deixam de funcionar apenas como uma referência conceitual e passam a influenciar decisões concretas relacionadas à forma como a empresa organiza seus processos, gere pessoas, utiliza recursos e se posiciona diante de riscos e oportunidades.
No cotidiano empresarial, essa aplicação ocorre por meio de políticas internas, ajustes operacionais e escolhas estratégicas que dialogam diretamente com os objetivos priorizados.
No caso do ODS 5, voltado à igualdade de gênero, isso pode se traduzir em metas claras para ampliar a presença de mulheres em posições de liderança, na revisão de critérios de recrutamento, equiparidade salarial, promoção e avaliação de desempenho e na adoção de práticas que reduzam vieses e desigualdades estruturais. Essas ações contribuem para ambientes de trabalho mais equilibrados e para decisões organizacionais mais diversas e qualificadas.
O ODS 8, relacionado a trabalho decente e crescimento econômico, costuma orientar iniciativas ligadas à saúde e segurança do trabalho, à qualidade dos vínculos laborais e às condições oferecidas ao longo da cadeia de valor. Investimentos nesse campo reduzem riscos operacionais, fortalecem a produtividade e ajudam a sustentar o crescimento do negócio de forma mais estável e responsável.
Já o ODS 12, que trata de produção e consumo responsáveis, pode ser incorporado por meio da revisão de processos produtivos, da redução de desperdícios, da gestão mais eficiente de resíduos e do uso racional de insumos. Além de responder a demandas regulatórias e de mercado, essas medidas frequentemente geram ganhos diretos de eficiência e redução de custos.
Por sua vez, o ODS 13, associado à ação climática, se manifesta em escolhas relacionadas à gestão de emissões, ao consumo de energia, à eficiência operacional e à adoção de fontes renováveis. Mapear e reduzir a pegada de carbono do negócio contribui para mitigar riscos futuros, aumentar a resiliência da operação e preparar a empresa para cenários de transição econômica cada vez mais exigentes.
Esses exemplos ilustram como os ODS podem orientar práticas empresariais de forma integrada, conectando impacto socioambiental, eficiência operacional e tomada de decisão estratégica, sem perder de vista a consistência da execução e a geração de valor no longo prazo.
Cuidados ao implementar ODS
A implementação dos ODS exige cuidado para que a agenda não seja conduzida por pressão externa, tendências de mercado ou expectativas genéricas sobre sustentabilidade.
Quando os objetivos não são filtrados por critérios claros de prioridade, a empresa corre o risco de investir tempo e recursos em iniciativas pouco alinhadas à sua realidade, com baixo impacto prático e dificuldade de sustentação no médio prazo.
Outro ponto sensível está na fragmentação. Ações isoladas, desconectadas entre si e sem vínculos com processos de gestão, tendem a perder força ao longo do tempo.
Sem integração com planejamento, orçamento, metas corporativas e responsabilidades definidas, os ODS passam a operar à margem da organização, sem gerar aprendizado institucional ou ganhos concretos para o negócio.
Também é importante reconhecer que a Agenda 2030 é ampla por definição. Justamente por isso, sua adoção demanda método.
A clareza sobre onde concentrar esforços é um fator determinante para transformar diretrizes globais em iniciativas executáveis, monitoráveis e relevantes para a empresa e seus stakeholders.
Nesse sentido, o estudo de materialidade desempenha um papel central. Ele permite identificar quais temas são mais críticos sob a ótica de impacto e relevância, ajudando a definir prioridades e a orientar a incorporação dos ODS à estratégia de forma estruturada.
Ao ancorar a agenda sustentável em critérios objetivos, a empresa reduz riscos de dispersão, fortalece sua capacidade de execução e aumenta a coerência entre sustentabilidade, desempenho e crescimento do negócio.
Está precisando de ajuda para implementar os ODS de forma efetiva na sua empresa? Vamos conversar! Tenho experiência no tema e já atuei em muitas empresas como a implementação da Agenda 2030!

